As operações do Porto de Santos devem retornar à normalidade hoje, quarta-feira(15), segundo estimativa da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a Autoridade Portuária. Nesse prazo, a chegada de cargas estará regularizada e a Avenida Engenheiro Augusto Barata (Retão da Alemoa), único acesso à Margem Direita do complexo, totalmente liberada, prevê a empresa.
A via foi interditada no último dia 2, quando um incêndio atingiu os tanques da Ultracargo, no Distrito Industrial da Alemoa, e só começou a ser liberada no sábado, 24 horas após as chamas terem sido extintas. Durante o combate ao fogo, o acesso de caminhões à Margem Direita do Porto foi proibido durante o dia e liberado, com restrições, das 22 às 4 horas
A Brasil Terminal Portuário (BTP), instalação especializada na operação de contêineres e vizinha à unidade da Ultracargo, prevê que tudo volte ao normal só no início da próxima semana.
“Hoje (segunda-feira,13), a nossa programação para os granéis vegetais é chegar a 50% da capacidade. Amanhã, esperamos que já chegue muito próximo do movimento pleno. A gente está considerando como o dia ‘D’ a quarta-feira. Deve ser nesse dia em que o fluxo deverá estar normalizado e as vias, liberadas”, disse o diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp, Luís Claudio Santana Montenegro.
O executivo se refere à liberação da Avenida Augusto Barata. Hoje, das cinco faixas reservadas para o tráfego dos veículos que seguem em direção ao Porto, apenas três estão disponíveis. Equipamentos do Corpo de Bombeiros ocupam o restante da via, assim como serviços de manutenção elétrica.
Por conta disso, a Codesp e a Prefeitura de Santos optaram por utilizar o Retão da Alemoa para entrada de veículos no Porto e a Rua Senador Cristiano Otoni, no Valongo, para a saída dos caminhões.
No entanto, por conta do grande movimento de veículos urbanos, serão feitas duas interrupções do tráfego de carretas hoje. Os caminhões não vão circularão na via do Valongo entre 5 e 8 horas. O mesmo acontecerá no final do dia, entre 17 e 20 horas. Enquanto a Rua Cristiano Otoni estiver interditada para os caminhões, eles deverão utilizar uma das faixas disponíveis do Retão da Alemoa para a saída do Porto.
“No final de semana, o fluxo de contêineres não chegou a cerca de 10% da nossa capacidade e o fluxo de granéis também foi baixo. Isso acontece porque, como nós temos um fluxo de granéis muito organizado, só liberamos a abertura do agendamento no sábado de manhã. Então, todas as empresas vão buscar caminhões no Interior. Isso demora cerca de 40 ou 44 horas para começar a responder. Então a gente imagina que esse fluxo vai ser crescente no meio da semana e, até lá, as coisas já estejam normalizadas, as faixa todas liberadas e a gente absorve isso com certa facilidade”, explicou Montenegro.
Nas proximidades da Ultracargo, a BTP deve retomar seu movimento tradicional apenas na próxima semana
Atrasos
Apesar da retomada parcial da rotina portuária, a BTP ainda continua somando atrasos e prejuízos decorrentes do incêndio. Segundo a empresa, nos nove dias do sinistro, 13 navios deixaram de atracar no terminal, o que inviabilizou o embarque e o desembarque de cerca de 17 mil contêineres. E 19 mil caminhões deixaram de receber ou deixar cargas na unidade.
De acordo com Montenegro, foram necessários acordos comerciais para que contêineres que seriam embarcados na Margem Direita (Santos) fossem deslocados para a Margem Esquerda (Guarujá). Além disso, a Autoridade Portuária privilegiou o transporte ferroviário e o tráfego noturno de caminhões para minimizar prejuízos aos terminais.
“Hoje, a gente tem o monitoramento completo de toda a logística. Então, a gente sabe o que está programado porque está tudo agendado. E a gente sabe o que vai receber. Hoje (ontem), ainda está abaixo da capacidade. O que aconteceu no fim de semana não chegou a 10% da capacidade, por exemplo”, afirmou o diretor.
Segundo Montenegro, houve um movimento intenso apenas na BTP, “porque ela ficou fechada nesse período”, e no Terminal de Contêineres (Tecon), da Santos Brasil, na Margem Esquerda. “Nos outros terminais, a gente conseguiu trabalhar ao longo da semana e aliviar. E eles não ficaram com os veículos represados. A nossa preocupação era, no final de semana ter, todo mundo resolver vir, o que não ocorreu”.
Fonte: Tribuna Online/Fernanda Balbino
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