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Projeto reúne dados das operações do cais santista

Captar e organizar informações sobre as operações do Porto de Santos, em tempo real, e ainda disponibilizá-las para a comunidade são os objetivos de um projeto ambicioso da unidade do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) em Santos. Para alcançar essa meta, professores e alunos de cursos portuários da entidade desenvolveram a Mesa de Operações Portuárias, que simula uma visão aérea do cais santista.

O projeto será inscrito na categoria Soluções Didáticas do programa Inova Senai, que vai acontecer em outubro, na Capital. O evento incentiva a elaboração de estudos e premia ideias inovadoras e com potencial de serem utilizadas pelo mercado.

“Na Mesa de Operações Portuárias, criamos o setup atual do Porto de Santos. Tivemos alguma dificuldade em reunir muitas informações. E essa é justamente a proposta: reunir todas as informações que mostrem o cenário das operações em uma plataforma única”, explicou o coordenador do curso técnico em Logística Portuária do Senai, Hélio Hallite.

Segundo o professor, várias fontes de informação são utilizadas simultaneamente. O problema é que elas utilizam terminologias diferentes e priorizam aspectos distintos. No site da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, a Autoridade Portuária), por exemplo, estão concentrados os dados das embarcações atracadas, fundeadas na Barra ou ainda com previsão para chegar ao cais santista. O problema, neste caso, é que a página não é constantemente atualizada e apenas esses registros não mostrariam o cenário atual das operações.

A saída, então, foi utilizar as informações disponíveis pela Praticagem de São Paulo, entidade que reúne os profissionais responsáveis pelas manobras de entrada e saída no Porto de Santos. No entanto, os dados disponíveis tratam, especificamente, das embarcações e não das cargas transportadas. O mesmo acontece com o serviço Semafórico.

Outra ferramenta importante utilizada pelos alunos do Senai é o site Marine Traffic. O portal reúne as informações dos radares das embarcações e mostra, em tempo real, a posição em que os cargueiros estão no Porto ou ainda fora dele, antes da chegada.

“A informação não está disponível para ser utilizada para ensinar. O desafio é disponibilizá-la para professores, alunos e para os entes do Porto de Santos e, além disso, virar uma referência das informações necessárias”, explicou o coordenador do curso do Senai.

Gargalos

Além de informações sobre as condições do mar (como altura da maré, ventos e temperatura), a ideia é que a Mesa de Operações Portuárias mostre os principais pontos de gargalos do cais santista, sejam eles rodoviários, ferroviários ou aquaviários.

Para isso, todo o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), principal acesso rodoviário ao Porto de Santos é representado por luzes de LED, que se modificam de acordo com a intensidade do tráfego de veículos. Se o trânsito estiver tranquilo, as vias serão selecionadas com a cor verde. Caso o fluxo esteja lento, as luzes ficarão azuis e, se o movimento estiver intenso e com pontos de parada, as vias ficarão vermelhas.

“Para isso, usamos o Waze (aplicativo que informa as condições do trânsito) e as condições são atualizadas a cada hora, com o uso de um outro aplicativo que muda as cores. Para variar, vemos que o tráfego sempre está mais intenso no Viaduto da Alemoa e nos cruzamentos rodo-ferroviários e isto interfere diretamente no movimento dos gates dos terminais”, explicou Hallite.

Futuramente, o projeto dará o mesmo tratamento aos dados sobre o tráfego ferroviário do complexo marítimo. Neste caso, as informações serão disponibilizadas pelas concessionárias férreas que atendem o cais santista.

Calado

E como cada região do Porto tem uma dimensão de calado operacional – a distância entre a superfície do mar (ou rio) e a parte mais inferior de um casco na água, ou seja, a metragem vertical da parte da embarcação que fica submersa, a Mesa de Operações Portuárias também deverá fornecer esse dado.

“Olhando as informações dos navios e o local onde eles estão, identificamos os de maior calado, os atracados, os fundeados e até quais são os que farão maiores operações, além de mostrarmos, também, a localização do terminal onde estão ou para onde vão”, explicou o coordenador do Senai.

Mesa

Para representar o cenário do cais santista na Mesa de Operações Portuárias, alunos e professores do Senai desenvolveram 256 miniaturas de embarcações e localizaram, na peça, os 55 terminais instalados na região. Com tudo isso e as informações operacionais do complexo, o coordenador do curso técnico em Logística Portuária do Senai, Hélio Hallite, acredita que é possível ter uma noção, em tempo real, do total de mercadorias movimentadas pelo maior porto da América Latina.

Entre as miniaturas, estão os navios graneleiros, as embarcações que transportam apenas contêineres e os cargueiros utilizados para importar e exportar veículos (os roll-on e roll-off). Barcos de apoio como rebocadores e lanchas também integram o cenário da Mesa de Operações Portuárias, além de balsas e catamarãs que transportam passageiros entre as duas margens do complexo.

A ideia de utilizar as pequenas embarcações é mostrar o movimento de navios e o dinamismo das operações. Já em relação à localização dos terminais portuários, o plano é que os alunos tenham uma noção exata de onde ficam as instalações.

“É preciso que se entenda o todo da operação portuária, porque não queremos ser como aquele velho trabalhador dos anos 60, que se limitava a montar uma lingada sem ao menos saber se a carga era de açúcar ou café. Porto é dinâmico e é preciso entender esse dinamismo para que se formem bons profissionais”, explicou Hallite.

O educador considera que, com o passar do tempo, será possível mapear a movimentação de cargas no Porto. Neste caso, a vantagem será ter uma outra fonte de estimativas operacionais já que, segundo ele, as estatísticas da Companhia Docas do Estado São Paulo (Codesp) podem não refletir a realidade.

“Pela quantidade de atracações e pelas informações arredondadas disponibilizadas pelo site da Codesp, o que vemos é uma guerra de números, que podem não ser reais”, destacou Hallite.

O docente prevê uma queda no volume de mercadorias movimentadas no cais santista, principalmente neste segundo semestre. Isto deve acontecer, segundo ele, porque os contratos de vendas de produtos que estão entrando em vigor já foram assinados em um período mais difícil da economia brasileira.

Especialização

Para Luiz Antonio Vieira de Almeida, aluno do curso Técnico em Portos, entender o funcionamento do complexo santista é algo que pode ser duplamente útil. Isto porque, além de estudar no Senai, ele é um dos graduandos de Gestão Portuária na Faculdade de Tecnologia (Fatec) da Baixada Santista, em Santos.

“Aqui, eu aprendo a operar. Lá, entendo como funciona a gestão de portos e terminais. Um curso complementa o outro, pois existem assuntos que são tratados nos dois, de maneiras diferentes”, explicou.

Além dos dois cursos, Luiz concluiu um outro no setor portuário. Ele fez Logística no Senac. Além disso, é formado em Administração de Empresas e Ciências Contábeis.

“Meu filho tem um caminhão que é utilizado para o transporte de contêineres vazios aqui no Porto. Me interesso pela área e, agora, quero me dedicar. Agora que entrei, não quero sair mais”, afirmou o aluno do Senai.

Fonte: A Tribuna On-line/Fernanda Balbino






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