Capacidade para movimentar cerca de 1,5 milhão de ton. de grãos deve ser quadruplicada até 2016 >> A ADM (Archer Daniels Midland) iniciou em setembro as operações de seu novo terminal portuário, conhecido como Terminal de Ponta da Montanha, situado na cidade de Barcarena, a 120 quilômetros de Belém (PA). Com isso, a companhia, que até então utilizava somente o porto de Santos (SP)
para suas exportações, amplia sua logística de transportes de grãos para o exterior, já que Barcarena, além de um ponto estratégico, será um terminal multimodal que reunirá no futuro três vias de acesso: hidrovia, rodovia e ferrovia.
PUBLICIDADE
“A localização do município de Barcarena é estratégica e diminui o tempo da operação de escoamento, com redução de até 34% nos custos de frete para as exportações. Sem dúvida, este terminal ampliará nossa competitividade logística”, afirma Valmor Schaffer, presidente da ADM América do Sul.
Adquirido em 2012 pela ADM, o terminal foi adequado para operar granéis de origem vegetal, destinando-se à movimentação e ao escoamento de grãos como a soja e o milho, provenientes da região Centro-Oeste do Brasil e de outras localidades, tais como Maranhão, Piauí e Tocantins. Tem capacidade para movimentar cerca de 1,5 milhão de toneladas nesta primeira fase da operação, podendo atingir seis milhões de toneladas de grãos até 2016. A empresa já investiu cerca de US$ 100 milhões no projeto do terminal, o que representa 50% do total previsto.
A autorização final foi concedida em 31 de julho e logo no dia seguinte o terminal recebeu o primeiro caminhão carregado com soja. A capacidade operacional de movimentação é de cerca de 160 mil toneladas mensais.
Nesta primeira fase, o terminal conta com estrutura de cais com 205 metros e opera navios de até 42 mil tpb. De acordo com Ronaldo Soares, diretor de logística da empresa, o projeto contempla duas importantes fases de obras civis. A primeira fase consistiu em adaptar o terminal para receber granéis de origem vegetal. “Foram construídos dois sistemas de tombadores de descarga de caminhões, balanças rodoviárias e sistema de moegas que se interligam com os silos para acomodar a descarga desses caminhões.” Além disso, foram feitas benfeitorias e melhorias no sistema de correias transportadoras e de carregadores de navios, entre outras. A capacidade operacional dos carregadores é de 1000 toneladas/hora. A capacidade de armazenagem na retroárea é de 30 mil toneladas. Já na segunda fase o objetivo é deixar o terminal com capacidade de carregar navios do tipo Panamax. Está prevista a aquisição de dois carregadores com capacidade de duas mil toneladas/hora, além de um moderno sistema de descarga de barcaças com o qual será possível descarregar 1500 toneladas por hora, entre milho e soja. As cargas poderão ir direto para os silos ou direto para os navios ou ambos. A capacidade de armazenagem total do terminal chegará a 144 mil toneladas.
O plano logístico da ADM para o terminal é baseado na multimodalidade do transporte e contempla três fluxos principais. A empresa conta com parceiros de terminais de transbordos e transporte fluvial nas rotas de Porto Velho (RO), via rio Madeira, até Barcarena, e também está finalizando um novo projeto logístico na região de Miritituba e Marabá, onde utilizará a hidrovia pelos rios Tapajós e Tocantins. O terminal de Barcarena será um dos poucos no Brasil a contar com acesso por hidrovia, rodovia e, futuramente, por ferrovia.
A previsão da ADM é transportar 80% do volume de grãos por hidrovia e 20% por rodovia até a construção do trecho ferroviário de cerca de 490 quilômetros que ligará Açailandia (MA) à Barcarena (PA), previsto pelo governo para ser construído até 2020.
Segundo Ronaldo Soares, a região de Miritituba terá um papel importante para o agronegócio como um todo. Será o ponto principal de transbordo de carga rodoviária para fluvial, que ligará a grande área produtora do Norte do Mato Grosso ao porto de Barcarena. “Algumas empresas já estão instaladas e a ADM, através de parcerias estratégicas, desenvolverá seus projetos na região de forma eficiente e sustentável de modo a agregar valor ao produtor rural”, explica ele.
Segundo a ADM, o terminal de Ponta da Montanha foi o primeiro contrato de uso privado (TUP) assinado dentro das regras da nova Lei dos Portos, de 2013. No início desse ano uma outra grande trading, a Bunge, realizou a primeira exportação de soja transportada pelo eixo logístico entre Miritituba e Barcarena. Os grãos vem de Mato Grosso pela BR-163 e a navegação por um longo trecho de hidrovias viabiliza a redução dos custos logísticos.
Diversas empresas do agronegócio e de logística estão instalando terminais de transbordo na região de Itaituba, visando aproveitar as vantagens da rota que encurta a distância entre a região Centro-Oeste do Brasil e os portos de exportação localizados na região Norte. Com isso, os portos de Santos e, principalmente, Paranaguá, tradicionais concentradores da exportação de granéis sólidos, deverão buscar novos nichos de mercado para driblar a redução da carga desviada para a nota rota.