As empresas de transporte marítimo Maersk e Hapag-Lloyd reagiram com cautela ao anúncio do cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã e à reabertura do Estreito de Ormuz, anunciados, na última terça-feira (7), pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e confirmado pelo governo iraniano. A Maersk alegou que ainda não havia garantias suficientes para a retomada das operações normais, enquanto a Hapag-Lloyd projetou recuperação gradual, sujeita à evolução da segurança na região.
A Maersk informou que o cessar-fogo pode abrir algumas oportunidades para o trânsito de navios no Estreito de Ormuz, mas ainda não oferece certeza suficiente em relação à segurança para retomar as operações normais. “Por enquanto, estamos adotando uma abordagem cautelosa e não faremos nenhuma alteração em serviços específicos”, explicou a empresa de navegação em um comunicado.
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Segundo a nota, o cessar-fogo pode criar oportunidades de trânsito, mas ainda não oferece total segurança marítima, e a empresa precisa entender todas as possíveis condições associadas. De acordo com a companhia, qualquer decisão de transitar pelo Estreito de Ormuz será baseada em avaliações de risco contínuas, monitoramento rigoroso da situação de segurança e orientações disponíveis das autoridades e parceiros competentes.
A empresa de transporte marítimo usou um sistema de "ponte terrestre" através de portos como Jeddah, na Arábia Saudita, Salalah e Sohar, em Omã, e Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, para canalizar a carga e, em seguida, transportá-la por terra até destinos na região do Golfo. "Continuaremos a acompanhar de perto os desenvolvimentos e a fornecer atualizações à medida que surgirem mais informações nas próximas horas e dias", concluiu o comunicado da Maersk, que suspendeu as reservas de carga para vários portos do Golfo no mês passado e introduziu sobretaxas de combustível de emergência em todo o mundo para compensar o aumento dos custos.
A Hapag-Lloyd, por sua vez, expressou otimismo cauteloso quanto à possibilidade de retomar a navegação pelo Estreito de Ormuz após o cessar-fogo, embora tenha alertado que a normalização do tráfego em toda a sua rede levaria pelo menos de seis a oito semanas. Durante uma reunião online com clientes, o CEO da companhia de navegação, Rolf Habben Jansen, reiterou os comentários cautelosos, observando que ainda são necessárias mais garantias de segurança. “Embora um cessar-fogo tenha sido acordado durante a noite, é justo dizer que o conflito no Oriente Médio continua a afetar seriamente o transporte marítimo e as cadeias de suprimentos”, afirmou, acrescentando que a situação é “muito instável”.
Ele mencionou também a possibilidade de aceitar reservas de clientes, desde que o cessar-fogo se mantenha nos próximos dias. “Provavelmente abriremos reservas para a região do Alto Golfo, inicialmente para mercados selecionados, mas esperamos que isso aconteça relativamente em breve”, disse Jansen. O executivo estimou que os custos adicionais decorrentes da crise no Oriente Médio chegam a entre 50 milhões de dólares e 60 milhões de dólares por semana e alertou que a empresa de transporte marítimo terá que repassar parte desses custos aos seus clientes, além dos 40 milhões a 50 milhões de dólares estimados anteriormente. Jansen informou que quase mil navios permanecem retidos na região, seis dos quais pertencem a sua empresa, com capacidade combinada de aproximadamente 25 mil contêineres padrão.
















